Acordei com uma sensação e talvez fosse do sonho que tivera, um sonho que me assustava, mas que me fez pensar.
Sonhara com Miguel. Talvez por não conseguir falar com ele desde ontem, nem sabia bem. Tínhamos acabado, mas, no meu sonho sentia-me como se ele me estivesse a prender e não me deixasse seguir em frente com esta nova fase.
Mas, bem lá no fundo sabia que isto não era nada do que queria. E afinal, era apenas um sonho, os meus outros não se tornaram realidade e não tinham significado, este não iria ser diferente. Ou pelo menos, esperava eu.
Tomei o pequeno-almoço, preparei-me e saí. Até agora, o melhor de Nova Iorque era o facto de com apenas um assobio ou simplesmente o facto de levantarmos o braço nos permitir ter "boleia" imediata para qualquer lado, sim, porque se algum dia, decidir ter um desgosto emocional, ou um esgotamento e decidir fugir de tudo e de todos, o táxi será sempre aquele amigo que me levará para qualquer lado. Mas por agora, o meu destino era a universidade e até estava bastante entusiasmada.
Levaram cerca de dez minutos até chegar e apesar de não ser como estava à espera, e ainda bem, porque era muito melhor, sim, a universidade era enorme e sinceramente, acho que pelo menos nos primeiros meses, iria precisar de um guia pessoal ou alguma coisa do género, mas talvez estivesse a dramatizar.
Tinha uma professora à minha espera, para tratar dos horários e todas essas coisas chatas do início do ano.
Assim que estava despachada de tudo isso e como não tinha aulas nesse dia, apenas no dia seguinte, aproveitei para dar uma volta pela universidade, passado algum tempo fiquei com fome e decidi procurar um restaurante para comer qualquer coisa, claro que a ideia não foi boa visto que o fiz a pé, mas valeu a pena, fiquei bem servida. Passeei um bocado pela cidade e decidi fazer umas compras e ainda bem, pois a última coisa que tinha tirado do frigorifico tinha sido um ovo e não me lembro de ter visto mais alguma coisa. Assim que comprei tudo o que precisava e alguns extras, apanhei um táxi para o apartamento.
Assim que cheguei, organizei tudo e liguei de novo a Miguel e desta vez atendeu, mas pareceu-me triste, não realmente triste, mas desapontado e apesar de saber que nunca me tinha escondido nada, desta vez senti que não me dizia tudo, mas não quis saber mais, não sabia bem porquê, mas parte de mim, dizia para não ligar demasiado, para desligar da minha vida em casa, no campo, com Miguel, mas lutava sempre que podia com a outra parte de mim, que me dizia, que Miguel importava e deveria querer saber. A verdade é que acabei por desligar a chamada, assim, sem mais nem menos, fora como um instinto. Logo a seguir Miguel mandou mensagem e sem qualquer sentimento de culpa, respondi: "Desliguei sem querer, até depois."